domingo, janeiro 01, 2006

Ou tudo ou nada

O homem, desde os primórdios da sua existência (isto é uma frase excelente para se começar a falar sobre qualquer coisa) procurou realizar todas as tarefas ao seu alcance para lhe proporcionar uma vida o mais confortável possível. A necessidade de sobrevivência motivada pela selecção natural das espécies, moldou um homem capaz de fazer tudo o que é humanamente exequível nos dias de hoje. Mas é mesmo possível fazer tudo? Quando me ocorreu a ideia de redigir este blog, pensei qual seria o tema mais adequado, sobre o qual incidiriam as minhas reflexões. "Vou escrever sobre... tudo!" - pensei eu num gesto de fuga aos meus limites. Mas depois de avaliar o meu pensamento, concluí que seria impossível escrever sobre todos os temas existentes no conhecimento humano. Descartando-me de tamanha responsabilidade, tomei a decisão de escrever sobre nada (qual Jerry Seinfeld dos blogs... mas com menos piada). Foi aí que nasceu o vácuo! Nada! O vazio total, em que qualquer artigo adicionado é sempre uma vitória; em que qualquer letra inserida transcende o que me é exigido. Tal e qual como no vácuo do espaço sideral, em que no meio do nada se encontram todos os objectos estelares, onde do nada passa a existir tudo!!! Bem... não pensem é, que por eu estar às 3 da madrugada a editar isto não tenha... nada que fazer! Um grande bem haja a quem me está a ler!

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

My friend, gostei desta tua iniciativa de partilhares com o povo o que te vai na alma. Acho que até tens jeito para a coisa. Continua, tens o meu incondicional apoio.
Quanto à reflexão custa-me a perceber a noção de tudo e de nada. O que é o "tudo"? Saberemos nós, homens, o que é o "tudo"? Mesmo que tenhamos já efectuado descobertas tão surpreendentes e em tão grande número, ficaremos alguma vez capacitados de afirmar que sabemos o que é o tudo? Penso que não. E penso que não, não devido à falta de recursos e de meios que nos impedem de novas descobertas mas sim devido aos limites da nossa condição humana.
NB

10:10 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Meu caro amigo... queres um conselho de quem anda aqui a mais uns dias que tu? Aqui vai uma pequena história:
- Andava eu no 11º ano, quando me foi pedido pelo professor de Filosofia um trabalho sobre as influências de um pensador do século 19. Era um trabalho em grupos de 4 pessoas. Como ainda não tinha o cérebro destruído pelo álcool, idealizei imediatamente um projecto faraónico e seleccionei imediatamente os parceiros certos para essa empreitada. Alguem que não tivesse grande paciência para pensar e que aceitasse imediatamente as minhas ideias: DECIDI FALAR DE TUDO!!! Desde o tempo do homem caçador-recolector, até á época do famoso filósofo, de que agora não me lembro pôrra alguma.
Estruturei as ideias, dividi em 4 fracções temporais que atríbuí a cada um dos colegas, ficando com a primeira parte, a tal que me iria fazer brilhar. Bastava pesquisar elementos sobre os tópicos principais, para no fim agrupar.
Nada data determinada para a conclusão do trabalho, verifiquei que nenhum dos outros três tinha uma linha escrita.
Decidi que teria que fazer tudo. Concluí a minha parte e fui fazendo as restantes, enquanto não eramos chamados para ler o trabalho na aula. Como obra faraónica que era, demorou mais que um dia a ler, permitindo terminar a ultima parte enquanto lia a primeira e a segunda.
No final o professor, emocionado, disse que nunca, nos anos que pediu esse trabalho aos seus alunos, lhe apresentaram algo tão completo, muito menos com aquele ponto de vista.
Passou então a questionar-nos sobre as diversas opiniões expressas no documento. Escusado será dizer que foi desastre completo, pois nenhum dos outros sabia o que se estava a falar.
Quando saiu a nota, tive um miserável 9, tal como os restantes 3 elementos.
Percebendo que nenhum deles tinha tido participação no trabalho, o professor avaliou-nos pelas questões colocadas e dividiu a nota pelos 4.

Conclusão: Toda a minha ambição, aliada a nenhuma humildade, resultaram na merda de uma nota.

Lição da história: "Entre falar de tudo e de nada, o melhor é falar apenas de um pouco".

9:16 p.m.  

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